Cobertura em Ipanema com vocação para galeria de arte

Neste apartamento, paredes curvas desenham um bloco escultural de madeira e telas metálicas revestem teto e paredes

Quando o arquiteto Sebastian Gomez ouviu as ideias do proprietário para a reforma desta cobertura, em Ipanema, no Rio de Janeiro, percebeu que o projeto a ser executado fugiria completamente dos padrões.

Pai de duas filhas pequenas, psicanalista e colecionador de arte, o dono do imóvel fez questão de deixar claro que queria algo novo, irreverente, com materiais industriais aparentes e uma configuração adaptada a sua rotina pouco convencional.

Junto da mesa de jantar, o armário com portas de aço e acabamento no tom corten (RF Marcenaria) funciona como apoio de cozinha. Bancada de cimento feita na obra. Repare que a esquadria se encaixa na parede lateral, integrando totalmente os ambientes. (Divulgação/Leonardo Costa)

“Ele me deu carta branca para quebrar todas as paredes e redesenhar a planta. O importante era que ela fizesse sentido para o seu estilo de vida, com poucos móveis, espaços livres, integração e muita área para expor quadros”, conta Sebastian.

Antes em L, a escada agora exibe traçado reto. O guarda-corpo foi moldado com uma camada dupla da mesma malha metálica da parede. Um trecho de vidro (laminado temperado de 20 mm, em placa de 1 x 1 m) no chão traz luz ao andar inferior. Todo o piso cimentício contínuo (Bautech) teve execução na obra e recebeu camada impermeabilizante incolor (Acquella, da Vedacit). (Divulgação/Leonardo Costa)

Dividida em dois pavimentos de 115 metros quadrados e 118 metros quadrados, a cobertura tinha a parte dos quartos no piso inferior, assim como cozinha e escritório.

Em cima, onde fica a entrada principal, o amplo ambiente ligado à área externa  deveria se tornar uma sala de estar minimalista, com jeito de galeria.

Na área externa, a mesma tela metálica aparece na parede, pensada para sustentar uma futura trepadeira. Chapas cimentícias antiderrapantes e atérmicas (1 x 1 m, linha Athermanous, da Sottile) cobrem o chão. (Divulgação/Leonardo Costa)

O primeiro passo foi definir os materiais. No segundo andar, a fim de manter o pé-direito com 2,78 m, a proposta passou por pintar a laje de preto e aplicar por cima camadas de tela metálica, disfarçando as vigas e tubulações aparentes.

“Ele adorou essa textura, de custo reduzido e efeito impactante. Acabamos repetindo a trama no guarda-corpo e no terraço”, explica Sebastian.

Com varandas generosas nas duas extremidades, o segundo piso ganhou, na parede e no teto, tinta látex preta fosca e camadas de malha metálica sobrepostas (modelo nervurado CA -60, da Gerdau) soldadas nos pontos de cruzamento em placas de 2,45 x 6 m. (Divulgação/Leonardo Costa)

Para reforçar a veia artística do local, o arquiteto propôs um bloco curvo de madeira envolvendo a caixa do elevador e o hall de entrada, no segundo piso. Esse elemento central funciona como escultura e engloba ainda o lavabo.

Encaixado no bloco sinuoso do segundo andar, ele tem paredes montadas com estrutura de madeira revestida de filetes de freijó por dentro e por fora. A bancada de aço acompanha a curvatura do painel. (Divulgação/Leonardo Costa)

“Desenhei no piso o formato que essa estrutura teria para ver a área a ser ocupada. É uma parede biombo, orgânica, em contraste com a frieza da tela metálica e do piso cimentado.”

Embaixo, a suíte do casal seguiu linguagem similar e ganhou um banheiro posicionado como um contêiner, caixa cercada pela mesma trama de filetes de freijó.

Na suíte do casal, um tom de cinza (Suvinil, ref. Elefante) cobre a parede da cabeceira, cujo nicho de freijó (0,35 x 2 m) foi cavado para receber livros e objetos. Elevada na reforma, a área da ducha exibe deck de cumaru e folha fixa de vidro. (Divulgação/Leonardo Costa)

“A estética repetida em todos os ambientes traz harmonia conceitual. É um apartamento diferente, para quem aprecia arte e não busca soluções prontas. Foi um desafio e tanto, mas com resultado surpreendente”, arremata ele.

Uma espécie de caixa dá forma ao banheiro. Ela é feita de chapas de alumínio (Alucobond) revestidas de ripas, também de freijó – e não chega até o teto. Executadas na própria obra com argamassa armada, bancada e cuba apoiam-se em uma estrutura  delgada de ferro. O piso repete o cimento queimado do restante da morada. (Divulgação/Leonardo Costa)

 

Moldada em concreto e revestida com o mesmo cimento queimado do piso (Bautech), a escada ficou mais larga. Repare no complemento de madeira na beirada dos degraus centrais. “Encaixei ali um armário voltado para o primeiro pavimento”, revela o arquiteto. (Divulgação/Leonardo Costa)

 

A trama de aço (Gerdau) surge aqui novamente, agora como guarda-corpo. (Divulgação/Leonardo Costa)

 

Praticamente todas as paredes vieram abaixo para desenhar a nova planta. Embaixo, está concentrada a área íntima, mais cozinha e escritório. Em cima, terraço e estar se encontram totalmente integrados. Área: 233 m²; execução da obra: Alves Silva; luminotécnica: Dimlux. (Ilustração/Campoy Estúdio)

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