Muito além do gesso: soluções criativas fogem da mesmice

No lugar do teto branco, entram bambu, palha, metal e até tecido. Soluções criativas que trazem vantagens como conforto acústico e iluminação acolhedora

MIMETIZADA NA PAISAGEM

A varanda desta casa em Campinas, interior de São Paulo, dialoga com a beleza do entorno. Quadros feitos sob medida com taquaras de bambu roliço (1,5 cm de diâmetro) marcam presença no forro e também na parede lateral da caixa de 3,50 m de largura e 16 m de comprimento junto ao corpo principal. Acima das chapas, um espaço com cerca de 20 cm dá acesso à fiação – pequenos recortes ainda permitem embutir spots para a iluminação – e, em seguida, telhas termoacústicas do tipo sanduíche cobertas de argila expandida mantêm a temperatura agradável. “Natural, o material é perfeito para acompanhar a estrutura metálica – se fosse algo rígido, seria difícil evitar trincas”, explica o arquiteto e autor, Lucas Padovani.

UNIDADE NATURAL

O clima carioca acolhe como poucos os materiais orgânicos. Nesta cobertura, as sócias Carolina Escada e Patricia Landau, da Escala Arquitetura, optaram por empregar a textura da palha trançada em nova função. Disposta em chapas de medidas variadas, ela passeia da varanda à área social e, com isso, também assume a missão de integrar o apartamento. Como o revestimento já vem de fábrica tratado contra fungos e ácaros, a manutenção é simples. “A palha disfarçou as vigas no corredor”, acrescenta Carolina.

 

 (Divulgação/MCA Estúdio)

Dicas valiosas:

1. Onde instalar: ambientes úmidos, como banheiros, saunas e cozinhas, e os sujeitos a intempéries (varandas, por exemplo), pedem forro com vocação impermeável. Já os espaços com pouca altura saem favorecidos pelo uso de materiais lisos e de tons claros, que diminuem a sensação de enclausuramento.

2. Resistência mecânica: atente para as características que definem se o material evita o aparecimento de bolor – desafio em locais com vapor –, impede a propagação de chamas (autoextinguível é o termo técnico) e de pragas como brocas e cupins, além de não empenar com o próprio peso.

3. Conforto acústico: Superfícies lisas e não porosas tendem a refletir o som de uma forma rígida, pouco agradável. Os acabamentos que têm textura elaborada absorvem melhor as ondas sonoras, quesito particularmente importante em salas de estar, home theaters e quartos.

MAIS ACOLHEDORA

Erguida em Brasília com estrutura de concreto, esta casa assinada pela Esquadra Arquitetos tem living com 15 m de comprimento. No meio do caminho, fica a sala de jantar sob um mezanino sustentado por vigas metálicas – e coube ao forro de madeira dar harmonia ao conjunto. “O acabamento de freijó em réguas de encaixe macho e fêmea contrasta bem com o porcelanato e traz o aconchego necessário a espaços com teto alto”, observa o arquiteto Filipe Monte Serrat, que divide o escritório com Manuela Dantas.

 (Divulgação/Joana França)

MIX DE MATERIAIS

Presa com tirantes flexíveis na laje, a colmeia de laminado (carvalho hanover, da Durafloor), esconde segredos. A estrutura é mais forte que a padrão, com 15 mm de espessura, e dá apoio aos módulos de fechamento, com apenas 6 mm. “Essa é uma maneira de manter a estrutura leve e facilitar o acesso aos equipamentos de som e iluminação sempre que necessário”, explica Hélio Albuquerque, sócio de Sonia Peres no escritório brasiliense Albuquerque Peres. Há mais: o requadro em tom offwhite sobre a bancada abriga uma malha emoldurada num perfil de alumínio. Quando acesas, as lâmpadas escondidas ali em cima geram translucidez e luz suave. “Devem ficar a 17 cm do tecido para o foco não aparecer”, orienta Hélio.

 (Divulgação/Joana França)

Dicas valiosas:

4.  Altura disponível: na maioria das vezes, a instalação se dá de dois modos: com uma estrutura metálica suspensa ou tirantes (móveis ou rígidos) fixados na laje. Ambos ocupam entre 12 e 30 centímetros de altura, medida que varia de acordo com os sistemas (ar condicionado, elétrica etc.) embutidos no entreforro.

5. Manutenção: forros em placas garantem acesso ágil ao vão junto à laje, vantagem na hora de resolver problemas nas instalações elétricas ou de ar condicionado. Se optar por versões lineares (inteiriças), estude previamente a melhor forma de alcançar essas estruturas (um alçapão pode valer.

6. Gesso na berlinda: a poeira finíssima e interminável que surge durante a instalação é a reclamação mais comum, mas essa lista encorpa quando surgem trincas e amarelamento. Evite o material ao menos nos locais com forte incidência de sol, já que os contrastes de temperatura e os raios UV afetam o derivado mineral.

Veja também

BRINCADEIRA CONTEMPORÂNEA

A arquitetura paramétrica – que emprega dados na criação de novas geometrias, viabilizando projetos marcadamente orgânicos – ganhou uma versão lúdica com este trabalho do escritório Domingo Arquitetura e Design Estratégico, de Brasília. Triângulos recortados em chapas de ACM (material compósito de alumínio) foram dobrados numa fresadora para dar a sensação de que pipas em tom dourado fosco voam nesta sala. A fixação discretíssima, feita com náilon, amplia o efeito. “O material é bastante customizável e permite uma instalação rápida e sem sujeira”, revela o designer Dimitri Locikis, que assina o ambiente ao lado dos arquitetos Gustavo Goes e Simone Turíbio.

 (Divulgação/Joana França)

SIMPLICIDADE COM EFEITO

Em seu primeiro projeto dentro de um contêiner (Grupo Cesar), a arquiteta Cláudia Zuppani, de Goiânia, quis assegurar o conforto termoacústico. Para tanto, elegeu um modelo cujo acabamento interno traz chapas de poliuretano com miolo de fibra de vidro – mesma combinação das telhas do tipo sanduíche. Depois de prensado a vácuo, o material assume 5 cm de espessura, suficientes para manter barulho e calor do lado de fora, sem perda significativa do pé-direito.

 (Divulgação/Edgard Cesar)

 

QUANTO CUSTA?

Compare valores dos materiais mais procurados (em m²)*

Gesso simples: R$30*

Gesso acartonado: R$ 55*

PVC/PET: R$50*

Metálico modular: R$95*

Metálico linear: R$160*

Metálico com pintura especial: R$210*

Madeira modular: R$500*

Madeira linear: R$600*

 

*Sem instalação. O preço da mão de obra dos produtos mais simples começa em R$ 35 o m². Valores pesquisados em São Paulo, em novembro de 2017.

 

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