Três perguntas para: Philip Yang

Mestre em administração pública pela Universidade de Harvard, Yang fala sobre os desafios enfrentados por grandes cidades como São paulo

Philip Yang já atuou como diplomata brasileiro em vários países, tendo morado em Pequim, Genebra e Washington. O urbanista é apaixonado pela capital paulista e busca soluções para ela por meio do Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole, ONG conhecida como URBEM.

Comparando com as grandes cidades em que você viveu, o que avalia como bom e ruim em São Paulo? 

O que fascina em São Paulo é o dinamismo, a pujança econômica, a diversidade social e a riqueza de manifestações culturais. A lista de problemas é enorme e sentida na pele de todos. De forma geral, acho ruim o grande desequilíbrio entre as ofertas de áreas públicas e privadas, entre o verde – não construído – e o cinza – construído –, além das grandes assimetrias nas ofertas de bairros que conjuguem moradia e trabalho. Pontualmente, o que tem me preocupado muito é a degradação do extraordinário atrimônio que temos no centro. 

De todas essas questões, qual você considera mais urgente?

Creio que os problemas mais graves enfrentados por São Paulo hoje são a segregação socioespacial e a ausência de uma base de bens públicos e de valores agregadores que garantam a coesão social: valores de convívio que permitam a cidadãos de diferentes origens econômicas e culturais compartilhar um espaço urbano comum. Quando dispomos de um bem público inestimável, como é o caso do Parque Ibirapuera, em São Paulo, da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, ou do Central Park, em Nova York, as diferenças se tornam difusas e as pessoas se congregam – ou ao menos se toleram – para celebrar a vida. 

É possível a uma megalópole ser sustentável e oferecer qualidade de vida a seus habitantes? 

Isso já aconteceu no passado em volume suficiente, mas o crescimento da população e a era digital nos impõem novos desafios. A luta por uma megalópole sustentável é ainda uma busca em curso. Não há uma resposta definitiva e a literatura está dividida entre os céticos e os arautos das grandes cidades, entre aqueles que acreditam que as metrópoles caminham irremediavelmente em direção à favelização, como Mike Davis, autor de A Planet of Slums, e os que olham para as cidades como a maior invenção da humanidade, ponte para um futuro de prosperidade, caso de Ed Glaeser, escritor de O Triunfo das Cidades.

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