Três perguntas para: Kengo Kuma

O arquiteto fala sobre a Japan House, iniciativa do governo japonês para divulgar a cultura nipônica contemporânea, o centro de artes e tecnologia será inaugurada em São Paulo em maio

Em dezembro de 2016, a Avenida Paulista completou 125 anos e em breve ganhará de presente uma obra escultural na altura do número 52, assinada por Kengo Kuma. O arquiteto, reconhecido internacionalmente por sua profunda relação com elementos naturais como a madeira, contou à ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO detalhes da proposta, que tem coautoria do escritório brasileiro FGMF Arquitetos. 

Imagem: Rogério Casimiro

O que inspirou a criação do painel da fachada usando madeira hinoki? 

Em minha primeira visita ao Brasil, há cinco anos, conheci o Pavilhão Japonês, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Esse espaço foi todo construído com hinoki, bastante comum no Japão, e me inspirou por uma série de fatores, entre eles descobrir que o autor da obra de 1954 foi o professor Sutemi Horiguchi, mestre do meu mestre. Então, existe um elemento afetivo. Respeito muito o trabalho dele. É uma honra e a realização de um sonho poder erguer algo na mesma cidade.

Como você descreveria a Japan House?  Que outros elementos estão presentes ali?

Com ela, desejo mostrar a cultura japonesa contemporânea, mas também sua essência e tradição. Nesse prédio, usamos a técnica do retrofit, intervenção capaz de criar harmonia entre o velho e o novo. Tenho utilizado esse procedimento, muito necessário ao design atual. Até o século 20, era comum demolir prédios para dar lugar a outros. Hoje, sabemos que essa ação pode exterminar completamente o passado. A estrutura de hinoki é sustentada por cabos de fibra de carbono, material relativamente novo e até sete vezes mais resistente do que o aço. Já no interior, criamos painéis vazados de washi, um tipo de papel japonês milenar. 

Como você analisa a arquitetura japonesa hoje? 

No século 20, na era industrial, a eficiência e a função eram conceitos-chave do design. Mas, hoje, no Japão, a delicadeza e a leveza podem conduzir a prática a um novo rumo, pois as pessoas do século 21 querem viver em uma sociedade mais sustentável.

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