Sítio paradisíaco é mistura de México e Marrocos

Neste sítio, o bloco pintado com o azul típico do país latino e as janelas mouriscas dialogam como se falassem a mesma língua. À inesperada fluência desses estilos tão diversos se somam muitos outros, numa miscelânea que é a cara do dono

Pense num arquiteto que, durante 25 anos de carreira, juntou sistematicamente materiais de construção e de acabamento – não importava o estilo, desde que exalassem beleza. “Se um cliente estivesse precisando de dez janelas de demolição e só achássemos um lote de 12, eu me apoderava das duas extras”, exemplifica René Fernandes. Assíduo participante da mostra Casa Cor, ele também se esmerou em retirar e acondicionar em lugar seguro elementos empregados nos ambientes temporários, bem como amostras de fornecedores. Sabendo dessa veia acumuladora, muitos amigos também lhe destinavam móveis antigos e objetos vintage. Resultado: René possuía um impressionante e eclético acervo com tudo de que uma casa precisa, de portas a luminárias. E ia estocando os achados, perdidos e presentes no sítio de sua família, no interior de São Paulo. “Fiz isso durante tanto tempo pensando em construir, lógico”, diz o inveterado colecionador.

Embora a intenção estivesse clara, o método para finalmente colocar seus preciosos guardados em uso seguiu os caminhos nada lineares da intuição. “Fui erguendo esta propriedade aos poucos, sem projeto formal, contando apenas com a ajuda de um pedreiro. Eu era o mestre de obras”, fala. O ponto de partida foi uma antiga cocheira, desenhada por ele nos anos 80 e já transformada num miniloft. Ainda com algumas de suas feições originais, ela passou a abrigar a cozinha e a sala de jantar, enquanto surgia, perto dali, uma torre destinada aos quartos, na qual René encontrou sentido para três janelas marroquinas.

Com a missão de unir os dois pedaços, chegou por fim o living, onde o tom é mais contemporâneo graças à cobertura metálica e à escada de concreto. Mas será que é isso mesmo? Ao olhar para o chão, vemos o ultrarrural piso de tijolo, que torna difícil cravar o estilo do espaço. “Realmente, fiz um patchwork sem saber ao certo o que esperar. Às vezes, me dava medo de estar errando a mão”, admite ele, bem-humorado.

Tão importante quanto o reaproveitamento foi a economia nos materiais novos – daí o tal piso de tijolo e as esquadrias simples. Nada que desandasse a receita desse verdadeiro x-tudo. “Não dá para preparar uma comida gostosa com as sobras da geladeira? Foi exatamente isso que tentei aqui”, conta ele, hoje tranquilo com relação ao gostinho do mexido, um refúgio que se reconhece em termos tão distantes quanto mexicano, marroquino, country e colonial.

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