Projeto de arquiteto renomado foi restaurado para receber nova família

Obra de Milton Ramos (1929-2008) em brasília, esta casa da década de 70 acolheu por mais de 40 anos seus donos originais

Quando ficou pronta, em 1974, esta era mais uma residência entre tantas obras modernas de Brasília. Hoje, em 2018, ganha a importância de joia de uma determinada época. E há vários motivos para isso, a começar por seu autor, Milton Ramos (1929-2008), arquiteto presente na equipe da construção de inúmeros edifícios erguidos nas primeiras décadas da capital federal, entre eles o Palácio Itamaraty, de Oscar Niemeyer (1907-2012), concluído em 1970.

“Quando estive na residência pela primeira vez, fiquei abismado com a força de sua arquitetura, que perdura até hoje. Milton Ramos não criava monumentos isolados da cidade”, fala Daniel. Para estabelecer um bom diálogo com este projeto, o BLOCO Arquitetos fez uma pesquisa profunda, observando as plantas originais e fotos antigas e lendo sobre o trabalho de Milton. Chama a atenção aqui a clareza estrutural dos volumes de concreto e a ligação lúdica com a área externa, repetida não só no trecho social como nos quartos.

“Quando estive na residência pela primeira vez, fiquei abismado com a força de sua arquitetura, que perdura até hoje. Milton Ramos não criava monumentos isolados da cidade”, fala Daniel. Para estabelecer um bom diálogo com este projeto, o BLOCO Arquitetos fez uma pesquisa profunda, observando as plantas originais e fotos antigas e lendo sobre o trabalho de Milton. Chama a atenção aqui a clareza estrutural dos volumes de concreto e a ligação lúdica com a área externa, repetida não só no trecho social como nos quartos. (Joana França/Divulgação)

Veja também

“Ele trabalha muito com o concreto aparente e possui uma abordagem racionalista, simples e bem-feita, tendo criado obras adequadas ao clima e à cidade, sempre em relação com a rua”, analisa o arquiteto responsável pela reforma, Daniel Mangabeira, do BLOCO Arquitetos Associados, cujos outros integrantes são Henrique Coutinho e Matheus Seco. Posta à venda pela primeira e única moradora até então – a esposa do engenheiro que foi parceiro de Milton Ramos em seus projetos –, a casa assistiu a toda a trajetória da família até que os cinco filhos cresceram, mudaram-se e o espaço de repente pareceu grande demais.

A fachada revela a boa relação da arquitetura com a rua. “Nosso cliente não quis colocar grades, entendendo que isso mataria o projeto original”, diz Daniel. O acesso se dá por esta escada-passarela, que leva até a entrada, no centro, ao fundo. À esquerda, fica o espelho- d´água, elemento redescoberto na obra. Originalmente plano, “o terreno recebeu este talude, que conecta melhor o espelho com a passarela e a frente da construção”.

A fachada revela a boa relação da arquitetura com a rua. “Nosso cliente não quis colocar grades, entendendo que isso mataria o projeto original”, diz Daniel. O acesso se dá por esta escada-passarela, que leva até a entrada, no centro, ao fundo. À esquerda, fica o espelho- d´água, elemento redescoberto na obra. Originalmente plano, “o terreno recebeu este talude, que conecta melhor o espelho com a passarela e a frente da construção”. (Joana França/Divulgação)

Achei a arquitetura perfeita, clara e reta, quartos voltados para o nascente, ambientes iluminados. A dona já tinha recusado propostas que ameaçavam descaracterizar tudo. Mandei um e-mail dizendo que honraria o legado da casa e que desejava ser tão feliz ali quanto eles foram”, conta o atual proprietário, um advogado apaixonado por arquitetura. E assim foi feito. No processo, algumas descobertas excitantes, como o caso do espelho-d´água da fachada principal. “Ele havia sido enterrado e a área gramada. Pegamos fotos antigas para guiar sua recuperação”, diz Daniel. No interior, uma vez descascadas, as paredes estruturais brancas revelaram a marca das fôrmas do concreto.

Com ilha de 1 x 2,30 m, a cozinha ganhou azulejos decorados na parede (linha Flor Partida, do Atelier Leopardi Esperante). Bancadas de Silestone (Cosentino, no padrão Alumínio Nube). Armários da Florense.

Com ilha de 1 x 2,30 m, a cozinha ganhou azulejos decorados na parede (linha Flor Partida, do Atelier Leopardi Esperante). Bancadas de Silestone (Cosentino, no padrão Alumínio Nube). Armários da Florense. (Joana França/Divulgação)

“Isso foi uma surpresa que apareceu quando quebrávamos um trecho para passar instalações. Não era algo qualquer, mas uma ranhura especial, por isso resolvemos deixá-la totalmente aparente.” No piso, conseguiu-se ainda aproveitar as raras pranchas de ipê maciço, cada uma com quase 9 m de comprimento. “Trata-se de uma arquitetura muito bem pensada, nos restava apenas restaurá-la e atualizá-la às necessidades da nova família, com dois filhos pequenos”, afirma Daniel. Tudo pronto para mais uma história, outra vez.

Veja mais fotos na galeria abaixo:

 

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s