Natureza e arquitetura se unem nesta morada na África do Sul

Aqui, a aventura passa longe dos clichês sobre o continente. Ela envolve o projeto desta casa de praia, hábil em capturar o visual estonteante e a natureza singular de uma península no vilarejo de Rooi Els, numa grande baía próxima da Cidade do Cabo

Natureza é assunto sério em Rooi Els, comunidade na Baía Falsa, a cerca de 70 km da Cidade do Cabo. Verdade que esse litoral da África do Sul se tornou famoso pela dramática beleza da paisagem, mas, especificamente na cidadezinha localizada entre o mar, um parque ecológico e uma cenográfica cadeia de montanhas, o tema orienta a vida das pessoas. Ali, moradores e frequentadores se esmeram em conservar a riqueza da fauna e das fores nativas (dizem que, na reserva vizinha de Kogelberg, a diversidade de espécies supera a da floresta tropical) e aproveitam os ventos constantes e a ondulação perfeita para o surfe, além de se fartar de pescado. 

Por isso, quando o futuro proprietário desta casa se reuniu pela primeira vez com o amigo e arquiteto George Elphick, tratou de descrever a relaxada atmosfera do lugar, que desejava ver traduzida numa construção com o mesmo espírito. À conversa inicial

se seguiram quatro anos de detalhamento e obra, período em que o refúgio assumiu contornos definidos e materiais sólidos e se despiu do que parecia desnecessário num local em que o entorno já oferecia quase tudo. Assim surgiram a estrutura de aço, fincada no solo arenoso; a cobertura curva como uma banana, que permite avistar a cordilheira; e as divisórias de vidro nas quatro faces. Para um resultado ainda mais plácido (o dono viveu no Japão, de onde trouxe o gosto pelos tatames e painéis de papel), os interiores ganharam enormes portas de correr e muita madeira, que se expande rumo ao exterior por meio dos amplos decks.

O toque final coube às engenhosas venezianas motorizadas. Quando abertas, elas basculam 90 graus para dar acesso à vista e filtrar o sol, enquanto, abaixadas e trancadas, oferecem segurança. Motivo de orgulho, a solução envolveu o trabalho de um especialista em mecanismos para cinema e arrematou o pedido do cliente, interessado em acompanhar de perto os ciclos da luz e dos ventos, o passar dos dias e das estações. Do terraço com os amigos ou mesmo da cama, agora ele contempla todas as situações: o pôr do sol na serra, a chegada das baleias-francas e a ininterrupta arrebentação.

“O melhor do projeto é o intangível, o espaço mais do que as coisas. Gosto particularmente quando a casa está toda aberta, com as venezianas escondidas”, George Elphick, arquiteto. 

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s