De vidro e ferro: casa combina referências industriais e retrô

Residência erguida com estrutura metálica em São Paulo tem pés-direitos altos e fachada transparente

A metrópole é São Paulo, mas nesta casa de 535 metros quadrados, acorda-se com o barulho de sagui, pica-pau-amarelo e maritaca na algazarra da manhã. Virtude do bairro distante do centro mas também do terreno arborizado, de 900 metros quadrados.

A entrada da casa acompanha o suave declive do lote, que desce cerca de 2 m da calçada em direção aos fundos. A passagem tem chão de tijolos de demolição e elementos vazados de concreto (NeoRex) na divisória da garagem (à esq.). (Divulgação/Maíra Acayaba)

Sua leve inclinação – um declive de 2 metros a partir  da calçada – ditou uma implantação que parece voltar-se para o jardim, abrindo os fundos da construção num grande avarandado quase sem limites dentro e fora.

“É o espaço de que mais gostamos, onde a casa realmente acontece”, diz a moradora, Mariana, com dois filhos pequenos.

Cimento queimado é o revestimento dominante no piso do térreo, onde você vê a moradora, Mariana. Na escada (JF Móveis),  com degraus de cumaru, o guarda-corpo metálico mescla elementos decorativos garimpados em depósitos de itens usados. (Divulgação/Maíra Acayaba)

Veio dela a vontade de investir em pé-direito alto, esquadrias de ferro, o jeito de loft. “Queria o visual industrial, mas tinha medo de o resultado ficar frio.”

Por isso também a escolha pelo escritório paulistano Estúdio Penha. “Prezamos o reúso de materiais e o acolhimento. É uma arquitetura contemporânea com nostalgias”, define a arquiteta Veronica Molina, autora do projeto ao lado de Vitor Penha, Bianca Sinisgalli e Guto Vicentainer.

Um paredão de tijolos de demolição delimita e aquece o estar. Sofá da Micasa, poltrona e mesa de centro da Prototyp&. Objetos da Dpot Objeto. (Divulgação/Maíra Acayaba)

Assim nasceu a estrutura de ferro que a todo tempo parece se confundir com a caixilharia ora do mesmo material ora de alumínio pintado com efeito aço corten.

Esquadrias de alumínio pintado separam o corredor lateral da cozinha. Nela, o piso leva ladrilho hidráulico (Ladrilar) e os armários têm portas de cumaru e vidro. (Divulgação/Maíra Acayaba)

“Para conseguir a conexão com o exterior, elegemos o ferro, que viabiliza perfis mais finos e caixilhos leves, além de uma paginação sob medida, em sintonia com o desejado conceito de loft”, explica Veronica.

Parte da área social, este trecho tem lareira de aço-carbono galvanizado (Construflama). Aos fundos, há um jardim de inverno com paredão verde montado com módulos de concreto (NeoRex). Esse jardim tem a função de iluminar e ventilar não apenas este ambiente mas também o ateliê da moradora, do outro lado, além de um lavabo. Poltrona da Carbono. (Divulgação/Maíra Acayaba)

Soma-se a essa solução a articulação de pés-direitos altos, entre 3 e 9,25 m no ponto máximo. “Nesse jogo, é importante a presença da escada e da passarela, no andar de cima. Elas enriquecem o desenho do espaço.”

O mesmo cumaru da escada aparece cobrindo o piso do andar superior. A passarela atravessa o espaço vazado, criando uma circulação banhada pela luz natural e visualmente conectada com o térreo. (Divulgação/Maíra Acayaba)

Como contraponto, tijolinho de demolição e madeira aquecem os ambientes, que exibem piso de cimento queimado (piso inferior) e tábuas (superior, nos quartos). Banheiroscozinha receberam ladrilhos hidráulicos. “Esse revestimento traz algo quente e emocional, lembrando casa de vó”, justifica Mariana.

O banheiro do casal desfruta de um janelão para o quintal, com caixilhos de ferro. Já o boxe (Banho Box) tem perfis de alumínio: duas folhas fixas de vidro e uma de abrir. O ladrilho hidráulico hexagonal (Ladrilar) vai até a metade da altura da esquadria – 2,68 m. As pias são de aço inox e a bancada é de limestone. (Divulgação/Maíra Acayaba)

Na fachada, a transparência do vidro é interrompida pelos trechos de alvenaria que também seguem o traço inclinado da cobertura de telhas metálicas do tipo sanduíche. “Além da facilidade de instalação diante das diferenças de pé-direito, elas exigem pouca manutenção e oferecem ótimo isolamento termoacústico”, ensina Veronica. Assim, nada atrapalha o silêncio dentro da residência, algo tão raro numa metrópole como esta – a não ser pela bem-vinda algazarra da manhã.

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