Casa-pátio com alma artesanal, tijolinhos e um jardim apaixonante

A visão do jardim e a presença de detalhes que revelam o passado da antiga construção contam a história desta reforma e o apreço de um arquiteto pela beleza natural das coisas

Esta história começa com um telefonema inesperado. Já haviam se passado dois anos desde que o arquiteto Fábio Marins e sua mulher, Mariana, desistiram de buscar a casa dos sonhos e seis meses do dia em que entraram num apartamento recém-reformado. No entanto, bastou o corretor ligar oferecendo uma proposta sem compromisso para o ciclo de mudanças recomeçar. “Topei ir ver o imóvel. A fundação estava precária. Mesmo assim, consegui enxergar ali, na mesma hora, a casa-pátio que eu tanto queria. Fui tachado de louco quando fechei negócio e, num fim de semana, passei para o papel tudo o que estava na cabeça”, recorda Fábio com um sorriso, claramente orgulhoso da escolha. Mineiro radicado na capital paulista há quase 15 anos, ele ansiava por um espaço amplo, onde a natureza se impusesse. E, sim, a configuração da área permitia transformar o tímido quintal num belo jardim. Dessa forma, o arquiteto logo reservou na planta um bolsão verde de 52 m², com a premissa de voltar todos os cômodos para esse trecho. 

A construção, no entanto, mostrou-se muito frágil. Quando começou a remoção do revestimento, as paredes de tijolos assentados no barro praticamente balançavam. Seria muito mais fácil derrubar por completo e preparar o terreno para uma obra 100% nova, porém Fábio teve punho. “Para mim, era importante preservar a história, prática que vem se perdendo em São Paulo. Deu trabalho,

pois foi um processo quase artesanal. Mas o prazer compensou”, avalia. Fio a fio, as superfícies foram raspadas e, então, receberam uma camada de malha de aço e cimento. A fim de estruturar o pavimento superior, inexistente no projeto original, o proprietário usou os mesmos pilares do térreo e inseriu uma viga metálica, viabilizando grandes aberturas para a parte externa. Além dos tijolos, que permaneceram visíveis, por aqui figuram portas e janelas da velha morada, seja em posição diferente, seja em funções

inusitadas, como a de tampo de mesa ou base para espelhos. 

Segundo Fábio, o aproveitamento da madeira e de outros materiais beirou 80%, o que representa bela economia. No fim das contas, a residência ficou do jeitinho que ele imaginou quando pôs os pés nela pela primeira vez. Simples, contemporânea e paulistana – e com o sotaque mineiro de seus moradores.

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