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Casa de fazenda restaurada traz à tona memórias da infância

Só lembranças boas de toda uma vida permeiam os ambientes da sede desta fazenda em Orlândia, interior de São Paulo. Levantada em 1894 para abrigar a bisavó das atuais donas, permanece com a família até hoje.

Ninguém sabe ao certo, mas há rumores na região de que a construção foi obra de arquiteto, realizada à época das estações de trem da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro (fundada em 1872 para atender à expansão da cultura cafeeira no interior de São Paulo). Talvez isso explique sua forma longa e estreita, além do tijolinho usado nas paredes. (Divulgação/Eduardo Pozella)

Nas recordações das proprietárias, duas irmãs que frequentam o lugar desde pequenas, há muitas brincadeiras com os primos, dias de sol na piscina, liberdade para correr e um sem-fim de cavalgadas nas férias. “Sempre foi o ponto de encontro da família. Passamos – e continuamos passando – momentos maravilhosos aqui”, conta uma das herdeiras.

O terraço foi agregado nos anos 40 com o intuito de criar um espaço de estar com vista do entorno. O forro, em estilo saia e blusa – de tábuas sobrepostas –, é típico do período colonial e deve ter sido usado para seguir o padrão do interior da casa. Da época, o piso de ladrilho hidráulico foi polido e impermeabilizado. (Divulgação/Eduardo Pozella)

Essa grande ligação afetiva, unida ao uso constante das instalações para o lazer, fez com que as sucessivas gerações cuidassem da manutenção da fazenda – produtiva até hoje – ao longo do tempo.

A sala de almoço é também o espaço onde a família se reúne para o café da manhã. Repare no painel rústico na parede: trata-se do verso de um enorme armário que se abre para a sala de jantar. Da superfície, saíram várias camadas de tinta até chegar à madeira natural. (Divulgação/Eduardo Pozella)

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Além de reformas, algumas benfeitorias foram acrescentadas à edificação principal, que nos anos 20 ganhou uma piscina na área do terreno bem ao lado da casa, e um terraço na fachada frontal na década de 40.

A cozinha também cresceu durante uma reforma encomendada pelos pais das atuais donas por volta de 1980, quando ainda alguns quartos se converteram em suítes.

Ventilado, o estar tem aberturas para a fachada frontal e para os fundos. (Divulgação/Eduardo Pozella)

Já à frente da fazenda, em 2011, a dupla procurou os arquitetos Gabriel Figueiredo e Newton Campos para uma nova intervenção.

Desta vez, entretanto, além das necessárias atualizações das instalações elétricas, hidráulicas e da modernização de alguns itens, as proprietárias queriam que a casa voltasse ao seu aspecto original, para reproduzir ao máximo a imagem conhecida na infância.

Aqui, o forro conserva o revestimento original da época, com ripas de madeira mais finas em relevo e pintadas de branco, sobre o fundo em tom bege. O assoalho antigo passou por raspagem e recebeu aplicação de resina (Bona) para proteção. (Divulgação/Eduardo Pozella)

“A obra foi um grande trabalho de restauração: nos detivemos sobre cada detalhe; dos materiais usados como revestimento às esquadrias e móveis. Buscamos devolver à fachada sua configuração inicial, tanto visualmente quanto no uso”, lembra Gabriel.

Eis o armário, tão antigo quanto a casa, com portas e gaveteiros do piso ao teto. (Divulgação/Eduardo Pozella)

Para essa empreitada, foram acionados marceneiros locais, capazes de recuperar as peças antigas de madeira e substituir por cópias fiéis as que estavam em mau estado.

Além disso, uma família experiente nesse tipo de trabalho, a do mestre de obras, passou dois anos morando no local, com dedicação exclusiva.

No quarto do casal, nota-se a parede externa espessa (40 cm) que abriga a esquadria, pensada provavelmente para isolar o calor. (Divulgação/Eduardo Pozella)

Valeu o capricho: “Voltamos a enxergar o cenário da nossa infância, com a fachada cor-de-rosa e as janelas verdes. E, agora, adaptado para as novas gerações”, diz uma das donas, ansiosa para seus netos desfrutarem também de boas vivências nesse ambiente rural.

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