Apaixonados pelo calor baiano, casal constrói casa de veraneio

Seduzidos pelo encanto desse litoral, muitos viajantes retornam para passar novas temporadas

A paulistana Thais cultiva sua história com Trancoso desde os anos 80, quando visitou a região pela primeira vez e continuou voltando sempre que podia, até fincar raízes naquelas areias por um período mais longo, na década de 90. Depois, viveu em diversos lugares da Europa com o marido, o suíço Alain, que topou, na volta ao Brasil, erguer uma residência de veraneio naquela porção paradisíaca da Bahia.

O bloco com dois quartos situa-se no pedaço mais sombreado do lote, onde as árvores também servem de suporte para redes. (Evelyn Müller/Evelyn Müller)

Compraram um terreno e encomendaram o projeto à arquiteta mineira Cris Nogueira, radicada há dez anos na vila. Com tudo no jeito para deslanchar a obra, o casal deparou com um lote mais interessante e, numa decisão tão ousada quanto incomum, decidiu vender o anterior junto com os desenhos e reiniciar o processo todo, retardando em um ano o desejo de ver a morada pronta.

Nesta visão geral dos fundos, fica evidente a ocupação essencialmente horizontal no lote de 35 x 40 m e a ênfase dada às varandas e ao jardim. Estes desfrutam da melhor vista, enquanto a torre dos quartos se beneficia da sombra das árvores mais altas. (Evelyn Müller/Evelyn Müller)

“A nova situação era completamente diferente, com medidas mais proporcionais, quase um quadrado”, descreve a arquiteta. Grávida de três meses, ela começou então uma gestação paralela, a do segundo projeto para Thais e Alain. Se o programa era o mesmo – uma casa ampla, arejada, simples e inspirada nas tradições construtivas locais –, o novo endereço pedia uma geometria mais complexa para a implantação sem afetar a vegetação nativa.

Junto à cozinha, o beiral se prolonga formando uma agradável varanda coberta. (Evelyn Müller/Evelyn Müller)

Em primeiro plano, a porta de entrada exibe puxador feito da madeira da única árvore removida do terreno. O piso de cimento queimado não usa juntas de dilatação (apenas soleiras) – o segredo para não trincar, segundo a arquiteta, está na utilização de duas telas aramadas sobre o contrapiso para estruturar a mistura de cimento, água e areia. Ao fundo, a proprietária, Thais. (Evelyn Müller/Evelyn Müller)

“Gosto desse desafio. Em Minas Gerais, nos preocupamos tanto com a topografia que muitas vezes nos esquecemos de como é difícil construir num terreno plano cheio de árvores. Aqui, preservá- las é o meu princípio”, diz ela. No fim das contas, apenas uma foi removida. Outras se incorporaram ao deck ou sugeriram a localização dos quartos sob sua sombra.

O cuidado com a vegetação original se revela neste detalhe do deck, atravessado pelo tronco de uma frutífera (Evelyn Müller/Evelyn Müller)

Já a caligrafia da morada leva a assinatura da mão de obra local, com sua carpintaria tradicional e sua sabedoria na execução de sistemas artesanais como a cobertura de taubilhas, os forros trançados e o piso de cimento queimado (todos impecáveis).

Item indispensável por aqui, o mosquiteiro de tule também ajuda nas noites de calor, quando o melhor é manter recuadas as portas de correr de tatajuba. (Evelyn Müller/Evelyn Müller)

 

Nos banheiros, o cimento queimado do piso se estende às paredes. Uma divisória de alvenaria erguida com tijolinhos cortados ao meio resguarda o boxe, aberto para um jardim privativo. (Evelyn Müller/Evelyn Müller)

“Nas esquadrias e no deck, demos unidade ao acabamento com cal, esbranquiçando as madeiras”, revela Cris, que não nega a influência da arquitetura colonial das fazendas mineiras em sua linguagem. “Especialmente o jogo de telhados, tão essencial para o nosso clima chuvoso e quente. Com os beirais, é possível deixar tudo aberto, ventilado”, diz ela. “É tão agradável que, quando estamos aqui, acabamos nem indo à praia”, conta Thais.

O telhado de quatro águas do bangalô tem inclinação de 50%, o que repete as feições da casa e lhe confere um jeito de cabana. (Evelyn Müller/Evelyn Müller)

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