Ladrilho hidráulico e tinta epóxi renovam apartamento dos anos 70

Antigo, o imóvel paulistano reunia qualidades: boa localização, muito sol... Ficou ainda melhor ao receber um toque de design em materiais e superfícies

A reforma deste apartamento de 150 metros quadrados em São Paulo não poderia ser mais personalizada. Da definição da planta ao desenho do mobiliário, tudo passou pelas mãos da moradora e arquiteta Nabila Sukrieh e de sua sócia Camila Stump, ambas do Estúdio Minke.

“Foi bem interessante projetar o lugar onde iria morar, tive total liberdade para escolher o que queria. Por isso mesmo, a tarefa ficou até mais difícil”, conta Nabila.

À direita, vê-se a inusitada prateleira instalada na borda inferior da viga de concreto. De MDF revestido de tauari, a peça (0,60 x 4 m) é mantida suspensa por cabos de aço presos no teto. Assim, ampara uma profusão de vasos com espécies pendentes. (Divulgação/Pedro Napolitano Prata)

Entre tantas possibilidades, um norte: o novo projeto deveria ser integrado e flexível, praticamente o oposto que se via no imóvel compartimentado da década de 70.

Ao longo dos quatro meses de empreitada, inúmeras divisórias vieram abaixo, proporcionando maior fluidez da iluminação natural, boa ventilação cruzada e amplidão espacial. Entraram nessa dança partes do living em L e as divisórias que delimitavam o quarto próximo à sala, incorporado ao – enfim enorme – espaço de receber e descansar.

As instalações elétricas à mostra e a serralheria da porta da cozinha (ao fundo, na foto), conferem um quê industrial ao lugar. Na sala de jantar, paredes de um singelo cor de rosa (Suvinil, ref. Caleidoscópio). “Aparentes, as luminárias de calha e os eletrodutos metálicos levam o olhar a percorrer todo o espaço”, diz Camila. (Divulgação/Pedro Napolitano Prata)

“Como a ideia era eliminar um bom número de paredes, introduzimos alguns elementos arquitetônicos para ajudar a definir os ambientes e tornar a área social mais acolhedora”, diz Camila.

A estante com estrutura de ferro alterna pau-marfim e freijó – mesmos elementos da linha de mobiliário desenvolvida pelas arquitetas. Com 2,10 x 6,80 m, organiza louças e talheres perto da sala de jantar, livros e TV na sala e, no trecho da varanda, possui aberturas que apoiam vasos com plantas. Execução: J.Firmino Marcenaria. (Divulgação/Pedro Napolitano Prata)

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A curiosa prateleira para vasos de plantas, instalada em uma das vigas de concreto reveladas durante a reforma, é um dos exemplos, assim como o forro de tauari aplicado apenas no cantinho reservado ao relax.

Instalado 10 cm abaixo da laje, o forro de tauari cria mais uma textura de madeira, além da dos tacos. De correr, os três painéis (1 x 2,65 m cada um) revestidos do mesmo material deixam a luz da janela do escritório invadir a planta. (Divulgação/Pedro Napolitano Prata)

O quebra-quebra continuou para converter o então quarto de hóspedes em suíte principal. “Ali, fizemos valer a possibilidade de transformar parte da lavanderia em closet”, conta Nabila. A velha distribuição ajudou e o banheiro destinado ao cômodo vizinho também foi revertido, dando forma à inédita suíte.

Inteiramente renovado, o banheiro passou a abrir para este quarto. Nada de paredes: chapas metálicas e caixilhos pretos, ambos de alumínio, emolduram vidros ora transparentes ora leitosos, criando diferentes sensações de profundidade e níveis de privacidade. Na área de banho, pastilhas sextavadas brancas revestem do piso até a altura do chuveiro. (Divulgação/Pedro Napolitano Prata)

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Tudo pronto? Quase. Ao remover o carpete de madeira, as arquitetas encontraram lindos tacos de peroba-rosa, espécie rara. Restaurados, eles agora escancaram com orgulho a idade do apartamento.

Aqui e ali, a proposta ainda reservava toques de contemporaneidade. Basta notar o piso com inserções de ladrilhos hidráulicos  azuis ou cobertura epóxi verde. Ou ainda as amplas esquadrias de vidro. “Acreditamos que adotar transparências e uma certa variedade de materiais consiga renovar a percepção de alguém sobre um mesmo espaço”, resume Nabila.

Detalhe cheio de graça, o piso da sala cedeu espaço a uma faixa de 1,40 x 3,30 m de ladrilho hidráulico azul-cobalto: endereço à prova d’água para inúmeros vasos com folhagens. Lisas ou com grafismos bege, as peças são da Dalle Piagge. (Divulgação/Pedro Napolitano Prata)

Como se não bastasse tanta autenticidade nas estruturas e nos acabamentos, criações do próprio Estúdio Minke ganharam vez entre móveisobjetos. “Valeu quase como um manifesto daquilo em que acredito”, constata a moradora e uma das autoras da obra.

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