Jardim tropical tem apenas espécies nativas do Brasil

Folhagens exuberantes, palmeiras esculturais e frutas raras – todas com sotaque brasileiro – ampliam sua presença em projetos de jardins. Mais do que compensação ambiental, trazer de volta as espécies locais é apostar num futuro em harmonia

Para escolher as plantas que utilizará num projeto, o botânico e paisagista Ricardo Cardim se lança numa viagem no tempo: por meio de fotos antigas e registros históricos, ele busca pistas sobre as variedades presentes na região séculos atrás. Estudando essas referências na cidade de São Paulo, descobriu que o bairro do Cambuci, no centro, já foi um grande e perfumado pomar da fruta de mesmo nome; e que Jurubatuba, na zona sul, configurava solo fértil para “muitas palmeiras jerivás” – tradução da palavra do tupi, falado pelos indígenas residentes ali. “As espécies nativas são plenamente adaptadas às condições locais. Constam do cardápio de animais silvestres e desempenham papel importante até na cultura do lugar”, afirma Ricardo, que defende com sementes e mudas o resgate da biodiversidade original em detrimento da multiplicação de vegetação exótica. Longe de ser um tipo de xenofobia, a motivação do profissional tem seu mérito. “Vivemos num país tropical, com abundância de espécies e biomas. Na capital paulista mesmo, manchas de Mata Atlântica convivem em harmonia com trechos de cerrado”, avalia. 

Até a reclamação comum sobre a ausência de flores em jardins tropicais ele rebate com lógica. “Invernos rigorosos deixam pouco tempo para a reprodução das plantas. Quando a neve derrete, elas precisam florescer logo para conseguirem se multiplicar”, explica. No Brasil, as temperaturas amenas dão mais folga para esse ciclo. “Há muitas plantas coloridas por aqui, como as orquídeas e bromélias, falando só das mais conhecidas. Falta de flor não é desculpa.” A seguir, você verá um projeto de paisagismo que carrega orgulhosamente a bandeira do nosso verde nacional e emprega a flora com sabedoria.

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