Tira-dúvidas da obra: construindo com contêineres

Diversos fatores devem ser considerados antes de transformar um módulo metálico em moradia

Executar um projeto com as caixas metálicas exige mão de obra especializada e conhecimento das particularidades desse tipo de empreitada. No entanto, através das dicas a seguir, podemos perceber que morar numa casa feita de caixas metálicas não é muito diferente de estar em uma habitação tradicional. Confira!

Onde comprar

Em geral, são vendidos em estaleiros de regiões portuárias e por empresas de transporte e logística internacional. 

Que cuidados tomar

É preciso verificar as condições de conservação e exigir os laudos de descontaminação e os documentos de nacionalização. Devem-se evitar contêineres com ferrugem perto dos selos e que contenham mau odor. Para utilizá-los numa obra, é recomendado consultar os órgãos públicos responsáveis da cidade, pois cada município tem suas próprias regras de construção.

Quanto custa

O preço varia de acordo com o estado, acabamento e dimensões, podendo oscilar entre R$ 7 mil e R$ 20 mil.

Tipos

Os modelos mais usados para residências são os Dry Box de 20 pés (2,43 x 6,05 m e 2,59 m de altura) ou 40 pés (2,43 x 12,19 m e 2,59 m de altura), além do Dry High Cube de 40 pés (2,43 x 12,19 m e 2,89 m de altura), que possui uma viga de sustentação em seu contorno e oferece pé-direito mais alto e adequado para moradias. Todos são feitos de aço corten com piso de compensado naval.

Durabilidade

Para transporte marítimo, o prazo de utilização é de dez anos. Como habitação, mantendo os devidos cuidados, apresenta a mesma longevidade de qualquer estrutura metálica, podendo chegar a 100 anos.

Montagem

De 80% a 90% da casa é montada na empresa especializada e levada até a obra em caminhões do tipo munck. No canteiro, são feitas fundação, caixa de gordura, caixa de passagem, instalação do padrão de energia, ligação de água e máquinas de esgoto.

Duração da obra

Depende do projeto e de sua complexidade. Em geral, é uma construção mais rápida do que a convencional por já vir com estrutura e cobertura prontas e por ser leve, o que também traz economia à obra. Segundo Sergio Cabral, da empresa Contain [it], “uma casa de 500 m² é concluída em cerca de quatro meses”.

Resistência

Com a devida manutenção (pintura periódica), a durabilidade equivale à de uma residência comum.

Foto: Reprodução/Pinterest

Terreno

Qualquer lote que comporte uma casa de alvenaria também é adequado ao contêiner. Quanto à fundação, não há limitações, desde que se pense em como o módulo será apoiado e conectado ao alicerce.

Arquitetura

As dimensões dos cômodos não são determinadas pelo tamanho e pela modulação dos contêineres. Eles podem ser agrupados, empilhados ou colocados lado a lado para contemplar ambientes amplos e pés-direitos altos, por exemplo.

Sem calor e barulho

Uma casa-contêiner pode contemplar as mesmas soluções de uma edificação de alvenaria: fachada ventilada, teto verde, brises, beirais e revestimentos termoacústicos.

Acabamentos

São os mesmos de uma residência tradicional. Vale usar cerâmicas, porcelanatos, drywall, revestimentos de madeira, compostos de alumínio etc. No entanto, é preferível optar por elementos com fixação mais adequada às superfícies metálicas (colados, soldados, parafusados…).

Segurança

Essas caixas são extremamente resistentes. Além da parede externa, há os materiais de isolamento aplicados no interior e a parede de gesso, madeira ou placa cimentícia. Se desejado, é possível instalar portas e janelas com grades. E as companhias já fazem seguro de casas-contêineres.

Incidência de raios

Embora metálicas, as soluções do gênero também são aterradas e, portanto, seguras contra descargas elétricas.

Ferrugem

Sim, pode oxidar, como um portão, mas é bem mais resistente. Antes da aquisição é importante observar se há pontos de ferrugem e, quando necessário, aplicar produtos para resolver esse problema.

Cobertura

O mais indicado é sobrepor uma telha termoacústica com um colchão de ar para ventilação. Outra alternativa com grandes resultados térmicos e estéticos é o telhado verde.

 

Fontes: Sergio Cabral, sócio-proprietário da Contain [it], e os arquitetos Maurício Ruoppoli e Celso Costa Filho.

Comentários
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  1. Augusto Junior

    Muito bonito! Mas, acredito que esses ótimos projetos não ficariam legais em regiões quentes. Deu até vontade de comprar umas “latas”, mas aqui, onde moro, é muito quente na maior parte do ano. Já pra quem mora no Sul do país, tem mais vantagem.

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