3 perguntas para o arquiteto espanhol Angel Borrego Cubero

A favor de compactar os bairros centrais com mais edifícios em Madri, o profissional explica um de seus projetos, nada convencional!

O arquiteto espanhol Angel Borrego Cubero é fundador do Office for Strategic Space (OSS), em Madri, escritório onde, nas palavras dele, “se fazem coisas muito estranhas”. É que a equipe de Angel não se limita às questões de arquitetura e urbanismo, unindo diferentes áreas e referências, como arte, economia e tecnologia.

Como se dá a revitalização do Pump Up Housing?

Muitos dos edifícios construídos no pós-guerra na Espanha foram feitos para resolver um problema imediato de moradia e não levaram muito em conta questões de eficiência energética e espaço. Essas construções já não atendem ao estilo de vida

atual. Estudando bairro a bairro, tipos de prédio, clima, incidência de sol e outros fatores, desenvolvemos um software que propõe soluções para aumentar esses conjuntos lateralmente, ampliando os apartamentos.

Antes (à esq.) e depois (à dir.): Pump Up Housing é uma alusão ao ganho de massa muscular nas academias. Aqui, propõe-se o aumento lateral dos edifícios existentes, como forma de ampliar a área dos apartamentos. (Foto: Divulgação)

De que forma o software atua?

Como já temos mapeados os bairros e tipos de edifícios de Madri, basta introduzir o endereço e conseguimos calcular quanto de área é possível aumentar, como ficará a fachada, quais serão as vistas, as possíveis novas plantas internas, quanto se economizará de energia com novas paredes e qual o valor da reforma. É um jeito fácil e não tão caro de trazer mais qualidade de vida aos proprietários. Sem contar que não há o impacto da mudança.

O projeto Urban Space Station é uma parceria do arquiteto Angel Borrego Cubero com a engenheira australiana Natalie Jeremijenko. Pensada para ser instalada sobre edifícios, é uma espécie de estufa que possibilita o cultivo de plantas, gera eletricidade e faz troca de ar com as áreas internas do prédio. (Foto: Divulgação)

Não é um jeito de compactar mais esses centros? Como fica o urbanismo?

Nos anos 70, surgiu na Espanha a preocupação de manter a nossa herança arquitetônica, nosso tecido urbano. Sem dúvida, são boas intenções, mas não podemos ficar presos a elas. As pessoas nas metrópoles devem estar onde há trabalho e movimentação econômica. Sou favorável a compactar os bairros centrais com mais edifícios e, por que não, mais altos. Não há sentido em fazer moradias a 20 km dos centros, por exemplo, porque seria necessário investir em transporte público rápido, que é caro.

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