Vídeo: empregada doméstica constrói casa moderna com R$ 150 mil

Com o dinheiro economizado ao longo de 30 anos, a diarista Dalva pôde contratar o escritório Terra e Tuma Arquitetos Associados

“Meu nome? Dalvina Borges Ramos. Mas me chame de Dalva, todo mundo me conhece assim!” E conhece mesmo. Não só pela simpatia e por seus cabelos escuros e compridos mas porque ela construiu uma casa – ou palacete, nas palavras dela – das mais novas, diferentes e repletas de história da Vila Matilde, na zona leste de São Paulo.

 

 

Dona Dalva, 74 anos, é empregada doméstica. Sim, ela acorda às 6h, se ajeita e aperta-se no transporte público para atravessar a cidade e chegar ao trabalho. Faz tudo agradecendo por ainda dar conta da profissão que exerce há mais ou menos 50 anos, quando saiu de Brumado, BA, em busca de uma vida melhor. “Meu pai montava nossa cama com madeira e folha de coqueiro. Lembro-me daquela época e até pergunto: isso tudo é de verdade mesmo?”, reflete a diarista, que sempre se esforçou para guardar um pouco de cada salário. Vinte anos depois, a primeira conquista: adquiriu um cantinho só para ela e Marcelo, seu único filho, e saiu da casa dos patrões. A economia sempre continuou firme e forte no final do mês, ao contrário da casinha. Em 2011, ela estava em condições precárias, a ponto de parte do teto ceder sobre a cama.

 

 

“Marcelo já tinha nos procurado, dizendo que a mãe havia juntado uma quantia e gostaria de construir no mesmo terreno ou comprar um apartamento. Porém, quando o acidente aconteceu, ele resolveu tirá-la de lá o quanto antes”, conta Pedro Tuma, do escritório Terra e Tuma Arquitetos Associados. R$ 150 mil era o valor disponível. Pouco para arrematar um imóvel pronto nos critérios paulistanos, mas os arquitetos, com experiências anteriores em construções econômicas, disseram ser possível demolir tudo e elaborar uma nova residência rapidamente (afinal, a família pagaria aluguel durante o processo).

 

 

“Desenhamos uma obra muito simples de executar”, explica Pedro. O térreo concentra as principais áreas de uso da moradora, e o primeiro andar, apenas o quarto do filho e a horta. Os 95 m² se estruturam em lajes pré-moldadas e blocos de concreto aparentes. Foram quatro meses para fixar os alicerces e outros seis de finalização até que, em maio deste ano, dona Dalva mudou-se de volta, feliz com sua moradia. Já faz planos: quer armários planejados e, quem sabe, deixar o piso “acabadinho”, como ela se acostumou a ver por aí. “Jogo na loteria, mas, se não der, não tem problema. A gente, tendo fé, vence.”

 

 

Veja a planta do projeto

 

 

 

Quanto custou a obra

 

 

Assista ao depoimento em vídeo da moradora aqui

 

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