Nesta morada singular, a combinação de cores e materiais dialoga com a natureza

Viver perto da natureza não bastava. Era preciso estar efetivamente dentro dela

Esta foi a premissa que conduziu a concepção e a execução da atual residência da paisagista Lis Ferreira, uma casa no meio da mata, suspensa de modo a pousar na altura da copa das árvores. 

“Todos os ambientes permitem contato com a vegetação do entorno, que pautou a definição de espaços, iluminação, acabamentos, cores… Esse ponto de partida resultou numa mistura arriscada de estilos e referências”, descreve Tito Ficarelli, autor do projeto ao lado de Chantal Ficarelli, sua irmã e sócia no escritório paulistano Arkitito. 

Um exemplo da mescla de elementos citado pelo arquiteto aparece nas coberturas adotadas para cada um dos dois blocos da edificação. “O telhado que protege quartos, hall e escritório é tradicional, com duas águas, garantia de um pé-direito que chega a 4,50 m na cumeeira. Já no trecho onde se concentram os espaços de estar, a laje pré-moldada fica escondida, propiciando um desenho mais arrojado, reto”, explica Chantal. 

Ela destaca ainda outras amostras do inusitado mix de informações: o contraste entre o apelo industrial e o jeitão de fazenda e entre o uso de materiais brutos e a leveza visual dos espaços. Além da cor inusual aplicada na parte externa, claro. 

Outra singularidade da construção de 180 m² em Cajamar – município nos arredores da capital paulista, onde Lis escolheu se estabelecer em busca de tranquilidade – é a escada azul que conduz ao terraço ajardinado. “Suas barras verticais desenham uma espécie de brise entre a ala íntima e a social. O caráter escultural e a tonalidade vibrante imprimem personalidade extra”, argumenta Tito. 

Mas havia um desafio maior do que orquestrar essa sinfonia de influências: resolver a implantação no lote marcado por um declive acentuado. “A principal dificuldade foi projetar algo com poucos níveis para um local tão acidentado”, diz Chantal. “Por isso, a construção nasceu solta do chão. É uma casa na árvore para adultos”, brinca Tito, referindo-se ao corpo de blocos e estrutura de concreto armado apoiado em pilares desse mesmo material. 

As condições impostas pelo lote, contudo, não foram as únicas responsáveis pela elevação da morada. “Eu queria repor à terra o que dela tirasse”, explica a proprietária, referindo-se à horta cultivada na propriedade de 3 mil m² (sendo 1,5 mil m² de floresta) e à cobertura verde. 

Espécie de living informal, o ambiente ao ar livre compensa os exíguos 8 x 8 m da área de convivência interna. “Aqui, a ideia de lugar para descansar está muito associada a outros espaços, até abertos, como o deck e o terraço”, finaliza a arquiteta.

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