Casa no litoral baiano é a cara do verão

O portãozinho sempre aberto não é mero acaso. Traduz a atmosfera despojada da residência, bem sucedida na tarefa de acomodar os donos durante as férias – verdadeiro convite ao descanso

Junto à praia de Mar Grande, na Ilha de Itaparica, o condomínio com cerca de dez casas conserva o ar singelo e exclusivo da Bahia idílica e inexplorada de décadas atrás. Neste exato local, onde a família já havia veraneado diversas vezes, surgiu uma construção à venda, prontamente arrematada pelo casal interessado em passar a estação mais quente do ano na companhia dos filhos e netos – e em endereço próprio.

Pensando em aproveitar ao máximo o terreno de 710 m² para encaixar as várias necessidades dos clientes, as soteropolitanas Flávia Foguel, Cristiana Reis e Milena Sá, do escritório Foguel Reis Sá Arquitetura, propuseram demolir o refúgio existente e erguer uma nova estrutura num dos cantos do lote. “Assim daria para liberar o terreno na frente e na lateral a fim de acomodar o corpo principal com seis suítes, além do deck, da varanda gourmet, do pergolado e do gazebo”, explica Flávia. 

No andar superior há quatro suítes. A do casal é a única com terraço. Embaixo, os outros dois quartos aparecem revestidos de cumaru e contam com portas-balcão para ganhar acesso ao jardim. Um pouco à frente, a divisória que alterna colunas fincadas no solo e plantas assegura privacidade. (Foto: Tarso Figueira)

Conhecedoras do repertório construtivo tropical, as profissionais lançaram mão de um amplo telhado para garantir conforto térmico à edificação e resguardar os enormes panos de vidro, certeza de luminosidade máxima nos interiores. “Os espaços de convivência são o ponto forte do projeto. Queríamos que, de qualquer ponto do térreo, entre dentro e fora, as pessoas pudessem se ver e conversar”, resume Milena. 

As áreas sociais – sala de estar e de TV (à esq.), gazebo (à dir.) e varanda gourmet, nos fundos do lote – se integram com ajuda do pergolado, que também desenha um trajeto da entrada da casa à piscina.

Mas o aspecto colonial, reforçado pelos amplos beirais de telhas de barro e pelas paredes imaginadas em azul, não apenas mimetizou o que tradicionalmente já existia na região. “Tratamos de envelopar o sobrado com soluções mais atuais, à nossa maneira”, continua Flávia, referindo-se à presença dos contemporâneos ripados de madeira e do concreto moldado no local.

Como não poderia deixar de ser, a obra que colocou de pé a agradável edificação se concluiu em prazo recorde, bem a tempo do verão. “Os proprietários já conheciam muito bem tudo por ali e sabiam exatamente o que desejavam, não houve indecisão, nem muitos ajustes. Resultado? Estava tudo lá, prontinho, em menos de um ano”, comemora Milena.

A estrutura do gazebo é composta de laje, vigas invertidas e pilares também de concreto, tudo envolvido por madeira. A solução viabilizou o vão de 5,30 m livre de apoios, sem perder o ar rústico. Não há calhas à vista, a drenagem se esconde nas colunas. No piso, ladrilhos hidráulicos (Ladrilhos Petrópolis) em azul. (Foto: Tarso Figueira)

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