Uso de cor em blocos marca os espaços do pequeno apê

No projeto de reforma desta morada de 65 m² em São Paulo, os tons sólidos não apenas enfeitam mas sobretudo ajudam a setorizar o local e a marcar funções e estruturas

O apartamento num prédio dos anos 80 em São Paulo tinha uma planta banal, quase inexpressiva: a sala retangular isolada da cozinha contígua e dois dormitórios separados por um banheiro central. Lá no fundo, a área de serviço generosa – com lavanderia, banheiro e outro pequeno quarto – parecia desproporcional em relação à metragem total do imóvel, de 65 m². Pior do que isso, suas paredes bloqueavam uma segunda fonte de luz natural – a janelinha superior, que poderia melhorar a claridade necessária à ala social. “O estar, trecho mais nobre, acabava ficando escuro por causa de sua grande profundidade”, explica a arquiteta Fabiana Stuchi, autora do projeto ao lado de Carlos Leite, ambos sócios no escritório paulistano Stuchi & Leite.

Mais do que pôr divisórias abaixo, a obra concentrou-se em reposicionar os principais usos, mais bem acomodados ao dia a dia da moradora, uma jovem executiva. “Ela não tinha exigências quanto à distribuição, o que nos deu liberdade para pensar um novo programa, com direito a um pequeno lavabo na entrada, disfarçado pelo grande painel vermelho, que segue até a lavanderia camuflando portas, armários e até o aparelho de ar condicionado”, detalha Fabiana. Tons fortes como esse aparecem em diversos pontos, numa linguagem que se propõe a enfatizar estruturas e identificar funções. “Por isso, prefiro usar a cor em blocos, não em grandes extensões de parede.” A mesma lógica de continuidade surge em outra solução: a faixa de concreto que vai da TV à área de serviço, servindo ora como aparador e escrivaninha, ora como estante e bancada ao adotar variadas alturas ao longo dos espaços gora abertos.

Tal integração, no entanto, não perturba a porção íntima, onde o quarto menor virou um closet interligado ao dormitório maior. Mantido entre os dois cômodos, o banheiro viu seu interior ampliado ao deixar a cuba do lado de fora, no corredor à frente. Mais uma vez aqui, a luminosidade precisou ser multiplicada. “Com a porta de vidro aramado fosco, mantém-se a privacidade do local do chuveiro sem perder luz”, complementa Fabiana.

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