Apartamento tem jeitinho de casa

As paredes da morada paulistana dos anos 50 caíram para dar lugar a um ambiente despojado. A estética industrial e integrada, com cara de galpão, abre exceção para um quintal de atmosfera calorosa. Afinal, os brutos também amam

“Assim que bati o olho naquele apartamento da década de 50, com 110 m², pé-direito generoso e um quintalzinho, vislumbrei que ele poderia se transformar na casa que sempre sonhei. Apesar de ter uma distribuição convencional, o imóvel serviria ao meu propósito de viver num loft claramente residencial. Ou seja: com uma cara de galpão industrial, mas com um jardim acolhedor. No entanto, seria preciso eliminar as divisórias – era fundamental poder ver todo o espaço desde a porta de entrada.

A área a céu aberto fornece claridade e circulação de ar ao apartamento, além de fazer as vezes de quintal. É ali que o publicitário Bruno Yantob e seu cão Xito desfrutam do contato com as plantas e do clima de terraço. (Foto: André Klotz)

Para dar conta dessa pequena revolução, o arquiteto Daniel Winter, do escritório paulistano DWArquitetura, se amparou no famoso preceito de que menos é mais [do alemão Mies van der Rohe, 1886-1969] e privilegiou uma arquitetura moderna e brutalista feita de elementos básicos como concreto, ferro, tijolo e vidro. Eu não queria muitos acabamentos. 

A planta original contemplava uma sala, dois quartos, uma cozinha fechada, um banheiro, uma despensa e a área descoberta de 11 m². Depois de demolir quase todas as paredes entre os cômodos, o espaço de convívio se transformou num único ambiente, englobando estar, jantar e cozinha integrada – com uma ilha onde posso preparar algo para meus convidados.

Na sala, onde as divisórias vieram abaixo, foi preciso erguer dois pilares de concreto para sustentar as vigas originais. Tapete da By Kamy, almofadas da Marché Art de Vie e gravura de Sérvulo Esmeraldo/Papel Assinado. (Foto: André Klotz)

Outro ponto-chave foi reduzir a área externa pela metade para aumentar o living, que ganhou melhor fluxo, além da luminosidade natural oferecida pela porta de vidro do tipo camarão. Ela recria o visual dos fechamentos dos lofts nova-iorquinos tanto no tamanho dos panos transparentes como na cor do ferro, preta.

Localizado no segundo andar, o apartamento é o único do prédio com área externa, agora com 5,50 m². (Foto: André Klotz)

Para que a luz de fora invadisse todo o interior, pedi para aumentar a entrada do quarto e instalar um painel envidraçado de correr para fechá-la. Os dois dormitórios originais se converteram em um, com 27 m² , e, nesse único ambiente de frente para a rua, mantivemos as duas janelas originais, de 1,20 x 1,55 m, trocando apenas os caixilhos. 

O painel envidraçado (1,65 x 2,20 m) do quarto tem sistema de corrediça superior. Mesa lateral e luminária do Atelier Industrial; roupa de cama da Codex Home. (Foto: André Klotz)

Também fiz questão de incluir um lavabo no corredor, onde ficava a despensa, para servir as visitas. Do apartamento original, restaram apenas vigas, colunas e os tacos do piso, restaurados. A transformação, com duração de pouco mais de três meses, terminou exatamente como eu desejava e tornou o meu dia a dia mais prático e agradável, facilitando a circulação, a limpeza e a organização.”

Bruno Yantob, 36, morador

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