O novo e o velho dialogam neste sobrado

Uma reforma modificou este lar compacto e o transformou numa morada clara e ventilada, onde coube até quintal e churrasqueira

Preservar a memória da casa erguida no Planalto Paulista, em São Paulo, constava entre os desejos do jovem casal que procurou o escritório Tria Arquitetura, em 2014, para fazer uma reforma no local. De acordo com as arquitetas Sarah Bonanno de Almeida e Marina Cardoso de Almeida, responsáveis pela atualização do sobrado de 82 , diante dessa demanda a estrutura existente foi integralmente mantida. No entanto, todos os ambientes tiveram os vãos de portas e janelas aumentados para entrar mais luz e ventilação naturais. “A construção era escura, com esquadrias pequenas e ambientes muito setorizados”, diz Sarah.

Maiores, as novas janelas aumentam a entrada de luz: as persianas ficam enroladas dentro das caixas, no alto das esquadrias (Crédito: Martín Gurfein)

Outro problema chamava a atenção: não havia jardim. “O fundo do terreno, onde mais mudamos a edificação, estava ocupado pela lavanderia fechada e por um quarto”, lembra a arquiteta. Para atender os clientes, essa edícula deu espaço a uma churrasqueira (que inclui lavabo e área de serviço) e um quintalzinho. Pensando e integrar o novo anexo ao corpo principal, ainda foi planejado um grande pano de vidro na parede divisória existente ali.

Interessadas em imprimir uma atmosfera capaz de mesclar antigo e atual, natural e artificial, quente e frio, as arquitetas cuidaram atentamente dos materiais e acabamentos. É assim que a cozinha e a sala de jantar, embora no mesmo ambiente, suscitam sensações opostas. Enquanto uma apresenta ladrilhos hidráulicos cinza e azul – formando uma espécie de passadeira à margem da bancada –, a outra traz assoalho de demolição no piso. “O padrão geométrico sugere um clima contemporâneo, prático e descontraído; já a cor quente da madeira nos dá mais conforto”, descreve a moradora.

O mobiliário (JHC Marcenaria) revestido de fórmica cinza embute a coifa, quase imperceptível (Crédito: Martín Gurfein)

O aconchego também se deve à parede de tijolos aparentes, que, de ponta a ponta, auxilia na uniformidade visual entre os ambientes. “A massa foi raspada para deixar a alvenaria à vista e expor a história e a idade da construção”, explica Sarah. No andar de cima, os cômodos viraram duas satisfatórias suítes. Tudo modernizado (instalações elétricas e hidráulicas e telhado também), as atenções retornaram à natureza do começo da história: o quarto do casal teve as floreiras reposicionadas, delimitando um pequeno terraço que se projeta em direção à árvore plantada na calçada em frente.

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